Técnica, no tênis, não é estética: é eficiência. Um golpe tecnicamente bem executado gera mais controle e mais potência com menos esforço — e protege punho, cotovelo e ombro. Neste guia explicamos as técnicas fundamentais do tênis na ordem em que costumamos trabalhá-las com os alunos da John Nasci Tennis.

Uma ressalva honesta: texto nenhum substitui o olhar de um professor. Use este conteúdo para entender o “porquê” de cada movimento e leve as dúvidas para a quadra.

Empunhaduras: a base de todos os golpes

A empunhadura é a forma como a mão se posiciona no cabo da raquete. Ela determina o ângulo da face da raquete no impacto e, portanto, a altura, o efeito e a direção da bola. O cabo tem oito faces (chanfros), e cada empunhadura é definida pela face em que se apoia a base do dedo indicador.

EmpunhaduraPrincipais golpesCaracterística
ContinentalSaque, voleio, smash, sliceVersátil; permite pronação no saque e golpes junto à rede
Eastern de forehandForehandGolpe mais plano; ótima para começar e para bolas na altura da cintura
Semi-westernForehandPadrão do tênis moderno; equilíbrio entre topspin e potência
WesternForehandMuito topspin e bolas altas; mais difícil com bolas baixas
Eastern de backhandBackhand de uma mãoDá firmeza ao punho no backhand com uma mão

No backhand de duas mãos, o mais comum é a mão dominante em continental e a mão de cima em eastern de forehand. É a mão de cima que “comanda” o golpe.

Posição de espera e preparação

Toda técnica começa antes do golpe. Na posição de espera, os pés ficam afastados na largura dos ombros, joelhos levemente flexionados, peso na ponta dos pés e a raquete à frente do corpo, segurada pela mão dominante e apoiada pela outra no coração da raquete. No momento em que o adversário bate na bola, faça o split step — um pequeno salto que prepara a saída para qualquer direção.

Assim que identificar o lado da bola, faça a rotação de ombros (o chamado unit turn): tronco e raquete giram juntos. Essa rotação é o que armazena energia para o golpe — não o braço.

Forehand (direita)

O forehand é o golpe mais usado no tênis e, para a maioria dos jogadores, a principal arma. Podemos dividi-lo em quatro fases:

  1. Preparação: rotação de ombros, mão livre apontando para a bola, raquete atrás com a cabeça acima do punho.
  2. Queda da raquete: a cabeça da raquete cai abaixo da altura da bola. Esse movimento de baixo para cima é o que gera topspin.
  3. Contato: à frente do corpo, com o braço relaxado e o peso transferido para a frente. Contato atrasado é a causa número um de bolas sem controle.
  4. Terminação: a raquete termina acima do ombro oposto (ou ao redor do corpo, em bolas mais agressivas). Não interrompa o movimento no impacto.

A potência do forehand vem da cadeia cinética: pernas, quadril, tronco, ombro, braço e, por último, a raquete. Quando um aluno tenta “bater forte com o braço”, o golpe perde potência e controle ao mesmo tempo.

Backhand (esquerda): uma mão ou duas?

O backhand é o golpe do lado não dominante e, para a maioria dos amadores, o mais frágil — o que o torna o alvo preferido dos adversários. Existem duas versões:

Backhand de duas mãos

  • Mais estabilidade e controle, sobretudo em bolas altas e na devolução
  • Aprendizado geralmente mais rápido
  • Alcance um pouco menor em bolas abertas

Backhand de uma mão

  • Mais alcance e variedade (facilita o slice)
  • Exige mais força e um tempo de bola muito preciso
  • Mais difícil com bolas altas e com muito efeito

Para a maioria dos adultos que estão começando, recomendamos o backhand de duas mãos. Mas a escolha depende do biotipo, do estilo e do histórico de cada aluno — é uma decisão para tomar junto com o professor.

Saque

O saque é o único golpe em que você tem controle total: ninguém interfere até a bola sair da sua raquete. Por isso, é também o golpe que mais recompensa o treino. Os elementos principais:

  • Empunhadura continental. Sacar com empunhadura de forehand (“saque de frigideira”) limita a potência e impede os efeitos.
  • Lançamento da bola consistente. Para destros, a bola sobe um pouco à frente e à direita da cabeça, na altura que você alcança com o braço estendido. Um lançamento ruim estraga qualquer saque — se ele sair errado, segure a bola e recomece.
  • Posição de troféu. Joelhos flexionados, braço de lançamento apontando para cima e raquete atrás da cabeça.
  • Extensão e pronação. O corpo sobe em direção à bola e o antebraço gira (pronação) no impacto. É daí que vem a velocidade da cabeça da raquete.

Existem três tipos principais de saque: o chapado (plano, mais rápido e com menos margem), o slice (com efeito lateral, que abre a quadra) e o kick (com efeito de cima para baixo, que quica alto e é muito usado como segundo saque).

Devolução de saque

Na devolução, o tempo é curto. Por isso a preparação é compacta: rotação de ombros com pouco movimento de braço, quase um “bloqueio” contra saques rápidos. Posicione-se de acordo com o sacador — mais atrás contra saques fortes, mais à frente contra saques lentos — e faça o split step no momento do impacto do saque. Na dúvida, devolva cruzado e profundo.

Voleio e smash

Voleio

O voleio é o golpe executado antes de a bola quicar, normalmente perto da rede. Os erros mais comuns vêm de tentar fazer um movimento longo, como num golpe de fundo. A técnica correta é curta:

  • Empunhadura continental, que serve para os dois lados.
  • Pouco ou nenhum movimento para trás: o gesto lembra um “soco” curto na bola.
  • Contato à frente do corpo, com o punho firme.
  • Movimento das pernas: dê um passo em direção à bola com o pé oposto ao lado do golpe.

Smash

O smash é a resposta ao lob (bola alta) do adversário. Gire o corpo de lado assim que perceber o lob, aponte a mão livre para a bola e use o mesmo movimento do saque, de forma mais compacta. O segredo está nos pés: pequenos passos para se posicionar embaixo da bola.

Efeitos: topspin, slice e bola chapada

  • Topspin: a bola gira para a frente. A raquete passa de baixo para cima na bola, que sobe bem acima da rede e cai dentro da quadra. É o efeito que dá segurança aos golpes de fundo.
  • Slice: a bola gira para trás. A raquete vem de cima para baixo, com a face levemente aberta. A bola fica baixa depois do quique — ótima para defender, variar o ritmo e aproximar-se da rede.
  • Chapada (flat): pouco efeito, trajetória reta e rápida. Eficiente para finalizar pontos, mas com pouca margem de erro.

Trabalho de pés: a técnica que ninguém vê

Profissionais costumam dizer que tênis se joga com os pés. A maior parte dos erros técnicos de amadores começa com um posicionamento ruim: o jogador chega atrasado, longe ou perto demais da bola e precisa compensar com o braço. Três movimentos fazem a diferença:

  • Split step a cada golpe do adversário.
  • Passos de ajuste — pequenos e rápidos — antes do golpe, para encontrar a distância ideal.
  • Recuperação cruzando os pés (crossover) para voltar rápido à posição depois de golpes abertos.

Quer dicas práticas para aplicar esses fundamentos já no próximo jogo? Veja nossas 15 dicas de tênis para jogar melhor.

Perguntas frequentes

Qual é a técnica mais importante do tênis?

Não existe uma única técnica, mas o saque e o trabalho de pés são os que mais influenciam o resultado. O saque inicia metade dos pontos de uma partida, e o trabalho de pés determina a qualidade de todos os outros golpes.

É melhor aprender backhand com uma ou com duas mãos?

Para a maioria dos adultos que estão começando, o backhand de duas mãos é aprendido mais rápido e oferece mais estabilidade. O de uma mão traz mais alcance e variedade, mas exige mais força e precisão. A escolha ideal depende do seu físico e estilo de jogo.

Como colocar topspin na bola?

O topspin vem do movimento de baixo para cima da raquete em direção à bola, com a cabeça da raquete caindo abaixo da altura da bola antes do contato. Uma empunhadura semi-western no forehand facilita esse movimento.

Como sacar mais forte?

A potência do saque vem da empunhadura continental, do uso das pernas, da rotação do tronco e da pronação do antebraço — não da força do braço. Ajustar o lançamento da bola e a sequência do movimento costuma aumentar a velocidade sem aumentar o esforço.